
O catálogo do Disney+ acaba de ganhar um dos filmes mais elogiados do ano. “O Testamento de Ann Lee”, estrelado por Amanda Seyfried, chegou ao streaming em maio de 2026 cercado de expectativa após chamar atenção em festivais internacionais e conquistar críticas positivas pela abordagem ousada de uma história real pouco conhecida do grande público.
Dirigido por Mona Fastvold, o longa mistura drama histórico, musical e elementos biográficos para contar a trajetória de Ann Lee, líder religiosa inglesa do século XVIII que ficou conhecida por fundar o movimento Shaker nos Estados Unidos.
Abaixo você pode continuar a
leitura do artigo
A produção da Searchlight Pictures ganhou destaque após ser aplaudida por cerca de 15 minutos durante sua exibição no Festival de Veneza. Desde então, o filme passou a ser apontado como uma das produções históricas mais impactantes lançadas recentemente no streaming.
Além do visual grandioso, o longa chama atenção pela intensidade emocional da narrativa e pela interpretação de Amanda Seyfried, considerada por muitos críticos uma das melhores atuações de sua carreira.
Leia mais:
Top 10 da Netflix hoje (21/05): os filmes mais assistidos do momento
“O Testamento de Ann Lee” acompanha a vida de Ann Lee desde sua infância na Inglaterra até a fundação de uma comunidade religiosa nos Estados Unidos.
A trama mostra como a personagem enfrentou perseguições religiosas, violência psicológica e repressão social por defender ideias consideradas radicais para a época.
Entre as crenças pregadas por Ann Lee estavam:
Em pleno século XVIII, Ann defendia que homens e mulheres deveriam possuir o mesmo espaço de liderança dentro das comunidades religiosas.
A proposta era extremamente revolucionária para o período e colocou o grupo em conflito direto com instituições religiosas tradicionais.
Após sofrer perdas traumáticas ao longo da vida, incluindo a morte de seus filhos ainda pequenos, Ann Lee passou a acreditar que o celibato absoluto era o único caminho possível para alcançar pureza espiritual.
Essa ideia se transformou em um dos pilares do movimento Shaker.
Um dos elementos mais diferentes apresentados no filme é a forma como os Shakers utilizavam música, dança e movimentos corporais intensos como parte das cerimônias religiosas.
Foi justamente desse comportamento que surgiu o apelido “Shakers”, derivado da palavra inglesa “shake”, que significa “balançar”.
Um dos aspectos mais comentados de “O Testamento de Ann Lee” é sua estrutura musical.
Ao contrário das cinebiografias tradicionais, o longa utiliza canções inspiradas em hinos religiosos reais do século XVIII para construir a narrativa.
Segundo a diretora Mona Fastvold, a decisão de transformar a história em musical aconteceu porque a música era parte essencial da prática religiosa dos Shakers.
As composições foram adaptadas pelo compositor Daniel Blumberg, vencedor do Oscar e do BAFTA por “O Brutalista”.
O resultado é um filme visualmente diferente das produções históricas convencionais, misturando cenas contemplativas, coreografias intensas e momentos de forte carga emocional.
Conhecida por trabalhos em produções como “Mamma Mia!”, “Meninas Malvadas” e “A Empregada”, Amanda Seyfried aparece completamente transformada no novo filme do Disney+.
A atriz interpreta Ann Lee em diferentes fases da vida, explorando desde os traumas pessoais até o crescimento da personagem como líder espiritual.
A atuação chamou atenção especialmente pela forma como Seyfried transmite fragilidade, fé e obsessão ao mesmo tempo.
Nas redes sociais, muitos espectadores passaram a comparar a performance com os trabalhos mais dramáticos da atriz nos últimos anos.
Ann Lee nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 1736.
Filha de uma família numerosa, cresceu próxima à Igreja Anglicana, mas começou a questionar as práticas religiosas tradicionais ainda muito jovem.
Em 1758, ela conheceu James e Jane Wardley, líderes de um grupo religioso que acreditava em manifestações espirituais por meio de dança, canto e movimentos corporais.
A partir desse contato, Ann passou a desenvolver ideias próprias sobre espiritualidade, igualdade social e comportamento humano.
Um dos momentos mais importantes da história de Ann Lee foi a perda de seus quatro filhos ainda na infância.
Após as mortes, ela passou a rejeitar completamente o casamento e relações físicas, defendendo o celibato como forma de purificação espiritual.
Segundo registros históricos, essa crença se tornou a base principal do movimento Shaker.
As ideias de Ann Lee passaram a incomodar autoridades religiosas da Inglaterra.
Ela foi acusada de blasfêmia, perseguida pela Igreja Anglicana e chegou a ser internada em instituições psiquiátricas após relatar visões espirituais.
Em alguns relatos históricos, testemunhas afirmavam que Ann conseguia falar em diferentes idiomas durante momentos de transe religioso.
Em 1774, Ann Lee e seus seguidores decidiram deixar a Inglaterra e partir para os Estados Unidos em busca de liberdade religiosa.
Após uma longa jornada, o grupo se estabeleceu na região de Niskayuna, no estado de Nova York.
Ali, eles criaram uma comunidade baseada em:
Homens e mulheres dividiam responsabilidades administrativas e espirituais.
Os membros compartilhavam bens e trabalhavam coletivamente.
Os Shakers rejeitavam qualquer tipo de violência ou participação em guerras.
O grupo ficou conhecido pela produção de móveis simples, funcionais e extremamente duráveis.
Até hoje, o design Shaker influencia móveis minimalistas modernos em vários países.
Embora o movimento tenha perdido força ao longo dos séculos, os Shakers continuam sendo estudados por historiadores e pesquisadores religiosos.
No auge, por volta de 1840, o grupo chegou a reunir cerca de 6 mil seguidores nos Estados Unidos.
Atualmente, existe apenas uma comunidade Shaker ativa no mundo: o Sabbathday Lake Shaker Village, localizado no estado do Maine.
O local virou ponto turístico e preserva tradições, objetos históricos e registros importantes do movimento.
O filme rapidamente ganhou força nas redes sociais brasileiras após chegar ao Disney+.
Entre os principais motivos para o sucesso estão:
O longa foge completamente do padrão tradicional das produções religiosas e históricas.
As cenas possuem estética cinematográfica sofisticada, com forte uso de luz natural e ambientações do século XVIII.
As músicas religiosas adaptadas para o filme ajudaram a criar uma identidade única para a produção.
Muitos espectadores descobriram pela primeira vez quem foi Ann Lee e como surgiu o movimento Shaker.
Para quem gosta de filmes históricos, dramas intensos e produções inspiradas em fatos reais, “O Testamento de Ann Lee” pode ser uma das grandes surpresas do Disney+ em 2026.
O longa entrega uma combinação rara entre musical, drama psicológico e reconstrução histórica, sem abrir mão de discussões atuais sobre religião, liberdade, igualdade e comportamento social.
Mesmo sendo uma obra ambientada no século XVIII, os temas apresentados continuam extremamente atuais.
Além disso, o desempenho de Amanda Seyfried ajuda a transformar a produção em uma experiência emocionalmente forte do início ao fim.
“O Testamento de Ann Lee” está disponível exclusivamente no catálogo do Disney+ desde 20 de maio de 2026.
O filme pode ser assistido pelos assinantes da plataforma em televisores, celulares, tablets e computadores.
Imagem: Reprodução Disney+




